II MOSTRA CINE LUSO ° BRASIL
04 – 14 Novembro, 2026
Vitória, Espirito Santo
VIVER, VER E ENXERGAR: SOCIEDADE E CONSCIÊNCIA CRÍTICA
Como viver em um mundo marcado por desigualdades, silenciamentos e violências normalizadas? O que realmente enxergamos quando olhamos para a sociedade que nos cerca? E o que escolhemos não ver? De que maneira podemos intervir e contribuir de forma consciente?
A segunda edição Cine Luso Brasil com tema Viver, Ver e Enxergar: Sociedade e Consciência Crítica propõe uma travessia cinematográfica pelas múltiplas realidades do espaço lusófono onde o cinema é instrumento de denúncia, memória e transformação. Mais do que apenas mostrar, os filmes aqui reunidos revelam o que é evitado, e ampliam nosso campo de consciência diante das estruturas sociais que nos atravessam.
Entre os temas que emergem estão as desigualdades urbanas, as heranças coloniais, a precariedade do trabalho, as lutas femininas e raciais, os traumas e os modos alternativos de habitar e resistir. Cada sessão é um convite a ver com mais profundidade — e a viver com mais consciência.
A proposta é simples e radical: reunir olhares que não se conformam. E, juntos, questionar o que significa viver com lucidez em tempos de cegueira coletiva na construção de um futuro mais justo.
A ideia é manter a abertura do evento sempre ligada às comemorações do “Dia Nacional da Consciência Negra” como um gesto simbólico e político. É reconhecer que os temas abordados neste ciclo — memória, identidade, resistência e justiça social — estão diretamente ligados à história e às consequências da diáspora africana e comunidades tradicionais e das relações coloniais que ainda marcam a contemporaneidade.
Honramos os milhões de pessoas negras, povos indígenas e sociedades invisibilizadas cujas histórias foram apagadas, distorcidas ou silenciadas ao longo dos séculos. Este gesto é um chamado à escuta ativa, ao reconhecimento profundo das suas contribuições para a construção das nossas sociedades e à urgência de uma reparação simbólica e estrutural. Mais do que remeter a uma herança colonial específica ou a uma associação restrita ao universo lusófono, trata-se de afirmar uma memória plural, crítica e coletiva, centrada nas vozes, experiências, resistências e saberes historicamente marginalizados.
A proposta do Cine Luso é justamente essa: ver e enxergar com consciência crítica com a verdade histórica, com a pluralidade de olhares e com a construção de um futuro mais justo e inclusivo.
A exemplo da primeira edição, temos por sub-temas o desdobramento dos assuntos quanto aos aspectos ligados aos universos contemporâneos numa reflexão crítica que se dará através dos debates e seus eixos específicos a ainda em formações e atividades artísticas .
A II Mostra Cine Luso Brasil é dedicada à memória de Emmanuel 7 Linhas, artista e livre-pensador, parceiro e colaborador da primeira edição do Cine Luso Brasil, cruelmente assassinado em maio de 2026.
Sua presença marcou o festival em 2025 e sua ausência nos convoca a continuar. Esta edição é também um ato de homenagem e de recusa ao silêncio.
Foto: Ellen Flegler
PROGRAMA DE ATIVIDADES
EXIBIÇÃO DE FILMES
OS FILMES SERÃO SELECIONADOS A PARTIR DE CHAMADAS ABERTAS e PLATAFORMAS DE INSCRIÇÃO, COMPLETANDO 9 HORAS DE PROGRAMAÇÃO, PODENDO SER ESTES FILMES CURTAS OU LONGAS, FICÇÕES, ANIMAÇÕES E DOCUMENTÁRIOS.
CINE DEBATES
CINE DEBATE 1: A casa e o mundo: território, ecologia e modos de habitar
Eixo: Relação com o território e contradições, modos de vida tradicionais, crise ecológica e consumo desenfreado
Questão norteadora: Quais são as visões de mundo a partir das formas de viver que desafiam a lógica urbana e capitalista?
CINE DEBATE 2: Vozes do feminino: mulheres como potência de mudança
Eixo: Feminismos, opressão, agência e visibilidade
Questão norteadora: Qual a importância das lutas e potências femininas? O que significa enxergar a partir de uma perspectiva de gênero?
CINE DEBATE 3: Trabalho, tempo e dignidade: o corpo na engrenagem
Eixo: Precariedade, capitalismo, resistências cotidianas
Questão norteadora: Qual o lugar do trabalho na nossa construção social?
CINE DEBATE 4: Juventude e rebeldia: ativismo de novas gerações
Eixo: Juventude, educação, repressão, ativismo
Questão norteadora: O que a juventude vê que a sociedade prefere ignorar? O que ela tem a dizer? Que transformações são possíveis a partir do ativismo?
CINE DEBATE 5 : Corpos que resistem: visibilidade, raça e pertencimento
Eixo: Identidade negra, racismo estrutural, colonialismo e diáspora africana
Questão norteadora: Como os corpos são vistos, enquadrados ou silenciados nas sociedades? O que é resistir sendo o corpo-território?
CINE DEBATE 6 : A cidade e o abismo: desigualdade e invisibilidade urbana
Eixo: Exclusão social, urbanização desigual, periferias
Questão norteadora: Como o espaço urbano reproduz exclusões? Quem tem o direito de ser visto, ouvido e lembrado?
ATIVIDADES FORMATIVAS
Metodologia: exibição comentada de filmes, rodas de conversa, exercícios de escrita e criação de micro-roteiros.
Orientadores : Pesquisadores e profissionais do cinema
CURSO LIVRE: HISTÓRIA E ESTÉTICA DO CINEMA LUSÓFONO
Objetivo: Compreender as nuances estéticas do cinema e suas relações territoriais
Conteúdo: Panorama histórico do cinema em países de língua portuguesa, com foco nas rupturas e continuidades entre colonialismo, independência e pós-independência.
A base de leitura será o Cinema novo brasileiro e – no realismo poético português, cinema revolucionário moçambicano, entre outros.
Formato: Curso intensivo de 12 horas
Público-alvo: 40
Cinéfilos, acadêmicos, estudantes, realizadores e público curioso em geral
OFICINA – LÍNGUA COMO IMAGEM: NARRATIVAS AUDIOVISUAIS DA DIÁSPORA
Objetivo: Explorar como a língua portuguesa e suas variações são utilizadas no cinema da diáspora como marca de identidade, resistência ou conflito.
Conteúdo: Línguas e sotaques como elementos narrativos; Subjetividades negras e periféricas na língua falada e filmada; Exibição de curtas e análise coletiva; Criação de micro-roteiros inspirados em experiências linguísticas pessoais.
Formato: Oficina de 06 horas
Público-alvo: 40
Jovens realizadores e estudantes de cinema, audiovisual, comunicação ou artes;
Educadore.a.s e agentes culturais que atuam com linguagem, identidade e migração;
Membros de comunidades da diáspora lusófona interessados.as em narrar suas histórias;
Pessoas negras, portugueses e outros migrantes ou de territórios com interesse em expressão audiovisual e linguagem.
O projeto foi aprovado no Edital 04/2025 – Nova Cena: Mostras e Festivais (Secult-ES – PNAB) e já tem garantidas as edições de 2025 e 2026. A realização do evento é da Associação Espírito Mundo, Interferências Filmes, Funcultura, Secult-ES, Sistema Nacional de Cultura (SNC) e PNAB/MinC.

